Discurso de abertura do VI Simpósio do IJUSP – 2014

Autor: Dulce Helena Rizzardo Briza

Vivemos num período de pós-modernidade, num pêndulo entre excesso e mal-estar. Sentimo-nos atropelados pelos fatos, pela tecnologia e pela economia desumana que atinge várias populações. Estamos num período de crise mundial e embora tenhamos conquistas tecnológicas e cientificas, constatamos ainda a existência de guerras, violência, fome, prostituição infantil, desigualdades, corrupção, pobreza e desengano.

Precisamos repensar nossa humanidade, refletir sobre nossa realidade e determinar caminhos a partir dessa crise que vivemos.

No ideograma chinês a palavra crise tem dois significados: fonte de perigo e fonte de oportunidade.

Temos agora em nossas mãos a oportunidade da transformação e para isso precisamos nos munir de competência, esperança e amor. No livro Símbolos de Transformação (§253) Jung afirma “É a incapacidade de amar que priva o homem de suas possibilidades. Este mundo é vazio somente para aquele
que não sabe dirigir sua libido para coisas e pessoas e torná-las vivas e belas para si. O que nos obriga, portanto, criar um substitutivo a partir de nós mesmos não é a falta externa de objetos e sim nossa incapacidade de envolver afetivamente alguma coisa além de nós. Por certo as dificuldades da vida e as contrariedades da luta pela existência nos acabrunham, mas também situações graves não impedem o amor, ao contrário, podem estimular-nos para os maiores sacrifícios.”

Devemos planejar e criar um novo homem, um novo mundo. Precisamos cuidar de nossas almas e da Anima Mundi. Kairós passa a ser importante em nossas decisões. Devemos nos preocupar com o desenvolvimento da humanidade, o que não implica somente o tempo cronológico. Precisamos ousar com dignidade e lealdade para podermos nos reinventar, usando toda nossa criatividade. Jung diz ainda “E quando o homem não ousa, alguma coisa se rompe no sentido da vida e todo o futuro está condenado a uma mediocridade vã, a um crepúsculo iluminado só por fogos-fátuos.

É importante que sejamos agentes, não só espectadores da história. Parece que a vida nos exige a diakrisis, ou seja, a ação de decidir. E essa decisão requer um comprometimento, aprofundamento e aproximação da consciência de nossa sombra tanto individual como coletiva. Precisamos aprender com as outras culturas e pensar o que faremos com nosso planeta e com o ser humano, uma vez que o mundo está insustentável. Lembremo-nos que a palavra valor está ligada à força de vida, riqueza e poder criador.

Nessa época de crise sistêmica, onde constatamos a mentalidade utilitarista, o fisiologismo e a banalização do ser humano, é necessário que ouçamos também nossos corações, tracemos novas direções com liberdade e ética. Vamos refletir a respeito dela, do amor, da solidariedade, da saúde, da educação, da justiça e da paz.

Busquemos os símbolos de transformação.

Dulce Helena Rizzardo Briza